terça-feira, 12 de abril de 2016

Dois desejos.

Quem seríamos nós,
se não dois corpos ardentes,
dois corpos que pulsa e sente
desejos, beijos, malícias?

Quem seríamos nós,
se não apenas querer...
querer, poder por fazer-se,
ali ou aqui que estamos?

Desnudos, despidos, nus,
revestidos de corpo e suor.
Seriamos sim o que somos;
formas, alma, sexo; nós.

Anderson Oliveira.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Era uma vez...

As histórias dos nossos dias não são mais contadas como aquelas de quando criança. Perdeu-se um bocado a fantasia - o "era uma vez..." da nossa infância. As histórias dos nossos dias não têm mais o traço da inocência, e nem outros mundos imaginários. Endureceu-se, humanizou-se.
A velocidade da busca desenfreada por aquilo que nem sempre vamos ter, afastou-nos daquilo que deveríamos buscar. Estaria eu em devaneios? Pobre de mim que tenho medo (medo e sonhos). Aqui, em frente a uma página virtual em branco, vou tecendo meus pensamentos confusos e cheios de desejos (temo perder-me do foco). 
Eu tenho medo mesmo de não acreditar nas coisas impossíveis! São elas quem nos mantêm vivos, tornando-as possíveis. Ainda assim, eu quero insistir nos mesmos erros acertados. Escrever o que me vem à cabeça, mudar todas as ideias que são apenas minhas (será?).
Queria mesmo era contar as histórias dos nossos dias com aquela inocência costumeira de outros dias. Olhar o mundo de outra maneira (talvez menos cinza como agora). Desse modo, poderia, quem sabe, começar o meu mundo como: era uma vez...

Anderson Oliveira.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Pensar e escrever (um pequeno desabafo)

Meus pensamentos parecem encontrar-se em estado de hibernação. É aquele momento em que o desejo de escrever não é alimentado pelas ideias. Uma espécie de isolamento das palavras - palavras essas que gritam sem esperanças de serem escutadas - ouvidas. Aqui, esforço-me para externá-las com medo de perdê-las. Parecem desconexas, vazias. É um outro modo de solidão? Sinto-me só.
Escrever, para quem escreve, é um ato quase sagrado; uma necessidade de falar pelas mãos e registrar de um modo concreto aquilo que pensa e sente. Hoje, observando algumas coisas que escrevi no decorrer do tempo, desejei escrever com avidez, mas causou-me estranheza buscar as palavras. Nenhuma delas faz sentido.
Eu estou sozinho agora. Não quero escrever por lamento, mas ouso arriscar-me ao ridículo. Por mais que pareçam soltas e desconexas as palavras, permito-me escrevê-las. Que elas sejam ouvidas mesmo que silenciosamente. Escrever também é um pão que me alimenta.

Anderson Oliveira. 

sábado, 30 de maio de 2015

Viver de amor.

Um dia, por decreto,
irei viver de amor...
morrer, não!
Irei viver de amor.

Querer-me-ei a saliência do beijo,
os abraços mais sinceros
e os risos verdadeiros.

Aceitarei todas as alegrias alheias
(do outro que quero bem)
e todo calor que emanar
do corpo que lhe pertence.

Irei aceitar-lhe o choro
quando a dor for traiçoeira,
e darei o colo meu a quem ele pertencer.

E se, por necessidade,
desejar voar sozinha,
deixarei que voe livre...
e que eu possa contemplar.

E eu, vivendo de amor,
hei de viver vida inteira...
assim serei quem eu sou.

Anderson Oliveira.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Que seja o verso.


Desejo do verso apenas o grito,
Ou o que for preciso para ser o verso.
Desejo o instinto preciso e confesso,
E que seja o excesso da voz do estampido.

Eu quero do verso bem mais que o poema,
Eu quero o sistema transcrito e inverso.
De fato, eu confesso: desejo outro verso;
Mas que ele não seja de alma pequena.

Desejo do verso o choro guardado,
O canto ecoado, velado e sentido.
Eu quero do verso muito mais que o grunhido;
Desejo o infinito universo arranjado.

E assim sendo o verso, poema gravado,
Que eu seja o passado, presente e futuro.
Que sejam transcritos paredes e muro;
E o verso restaure o elo sagrado.

Anderson Oliveira.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Por você.

Diz-me em silêncio
que é amor...
Fala-me ao coração,
ao corpo - todos os sentidos!

Grita em mim silenciosamente
o que o meu ser deseja ouvir!

É por você que eu me recrio,
preencho o que em mim está vazio...
É por você que eu vivo de amor!

Anderson Oliveira.