quarta-feira, 30 de abril de 2014

Que seja o verso.


Desejo do verso apenas o grito,
Ou o que for preciso para ser o verso.
Desejo o instinto preciso e confesso,
E que seja o excesso da voz do estampido.

Eu quero do verso bem mais que o poema,
Eu quero o sistema transcrito e inverso.
De fato, eu confesso: desejo outro verso;
Mas que ele não seja de alma pequena.

Desejo do verso o choro guardado,
O canto ecoado, velado e sentido.
Eu quero do verso muito mais que o grunhido;
Desejo o infinito universo arranjado.

E assim sendo o verso, poema gravado,
Que eu seja o passado, presente e futuro.
Que sejam transcritos paredes e muro;
E o verso restaure o elo sagrado.

Anderson Oliveira.

Um comentário:

  1. Um poema tudo pode, até restaurar o elo sagrado.
    Gostei muito, Anderson.
    beijo!

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