terça-feira, 6 de novembro de 2012

Noite de chuva.


- Decifra-me se possível! Diria ela ao ver-me. Havia chovido toda a noite. O cheiro da chuva teimava em penetrar os meus sentidos. À noite, raios e trovões entoavam em som e luz a minha janela. Medo? Não, não mesmo. Custei a dormir por outros fatores. O som da noite foi companheira.
Verifiquei a casa, estava intacta. Apenas algumas pequenas poças na frente da porta. A chuva estava intensa, e fez-se presente por toda a noite. Busquei as horas do relógio, os livros por sobre o banquinho da escrivaninha. O dia lá fora, ainda cinza, deixava cair pequenas lágrimas de chuva. Pareceu-me choro incontido, da graça que o dia tem.
Voltei os olhos e os pensamentos para fora e casa. O cheiro do chão lavado, do ar úmido tomou-me de pronto. Senti-me vivo. Sorri para o dia - para a vida que me sorria. Diria a ela ao vê-la: - Decifra-me se possível!

Anderson Oliveira.

Um comentário:

  1. A noite diz tudo isso e mais um pouco sim.. que a chuva continue nos abençoando.

    Beijos.

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