quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ela mulher.


Particularmente eu não a entendia. Ela não gostava de todo tipo e nem fazia questão de esconder.  Preferia os cínicos de alma aos sérios e recatados. Aos esnobes, nem um bom dia. Dizia que estes não passavam de patéticos ordinários. Para bebidas, não tinha horário, mas ainda assim mantinha-se  sóbria. Dos livros, preferia os clássicos. O seu preferido: Oscar Wild. Gostava de imaginar-se musa do escritor. Outro dia a vi declamando um de seus poemas: “Escolho os meus amigos não pela pele”. Confesso que me senti privilegiado por fazer parte do seu círculo.
Por falar em amizades, essas, ela tinha poucas. Gostava de selecionar suas companhias. Amores? Esses eram alguns poucos aos quais ela nem sempre gostava de expor aos outros. Não saberia dizer ao certo, mas conheci um ou dois que nem durou muito tempo. Ele preferia sentir-se livre – tinha o extinto libertário e posicionamento político forte. Gostava de pregar o direito à liberdade e criticava qualquer tipo de Estado. Às vezes, contava histórias sem nexo só para que pudéssemos achar graça.
Ela era assim: louca, intensa, e sabia bem o que queria.  Gostava de viver e sentir-se viva. Tinha a alma livre. Não se sujeitava a qualquer um e nem a qualquer coisa. Fazia o que lhe apetecia. Dentre idas e voltas, estava sempre de bom humor. Quando triste, isolava-se. Não queria falar com ninguém. Dizia que preferia trancar-se a  ser indelicada com quem amava. Mas voltava sempre sorrindo. Ela é desse tipo de gente que se aprende a viver. E como ela mesma dizia: era de gente assim que ela gostava de amar.

Anderson Oliveira.

2 comentários:

  1. Muito bonito e suscinto, ela era uma mulher de muitos quereres.

    Beijos.

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